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Uma porta para muitos sonhos
Por Fernando Borges Cor e diversidade. Dois substantivos que são a cara da África do Sul, e os aspectos que mais chamam a atenção de quem visita a terra de Nelson Mandela, o país mais a sul do continente africano e um dos mais perfeitos santuários da vida selvagem. Da fauna à flora, das savanas às praias, dos shoppings aos bangalows, do artesanato à produção industrial, a vida - selvagem e urbana – manifesta-se em inúmeras cores e formas. A primeira amostra desse universo heterogéneo, colorido e acolhedor, é proporcionado pela Cidade do Cabo, a cidade-mãe dos sul-africanos, posicionada aos pés da imponente Montanha da Mesa, ou de uma forma mais sonante, da Table Mountain. Localizada nas proximidades do Cabo da Boa Esperança, antigo Cabo das Tormentas, acidente geográfico que, apesar de não ser um divisor de águas no sentido literal (Atlântico e Índico), é uma presença obrigatória nos livros de histórias sobre o outrora Caminho Marítimo para a Índia. Hoje, quem chega a esta cidade que começou a ser colonizada no século XVII pelos holandeses, ingleses e franceses, que ali paravam para abastecer seus navios no percurso para o Oriente, descobre um dos mais belos cenários do mundo. O adjectivo superlativo não é gratuito: a capital legislativa da África do Sul integra a selecta lista das seis cidades mais bonitas do planeta de acordo com o Guiness Book, o livro dos recordes. Uma beleza cujo conceito engloba, com igual participação, a diversidade de seus contornos, o relevo acidentado de sua centena de praias e suas múltiplas faces. Aqui, brancos, negros, asiáticos e árabes reflectem - no vestir, na fisionomia, na culinária e no artesanato - um mixagem cultural multicolorido cuja maior vitrina são os corredores, lojas e terraços do Victoria & Alfred Waterfront, frequentados pelos moradores e turistas que chegam à descoberta de todo o fascínio africano e que encontram na Cidade do Cabo a grande porta de acesso a esse continente. Ao visitante, porém, o inglês é suficiente para comunicar. Isso se não acabar por gastar muitas frases em português, por conta da entrada crescente no país de imigrantes vindos de Angola, Cabo Verde e Moçambique, para além, claro, dos muitos portugueses que ali aportaram nas décadas de 60 e 70 à procura da “terra prometida”. Nesses momentos de encontro com a natureza, toda e qualquer palavra é totalmente dispensável. Contemplar vagarosamente e em silêncio já é o bastante. Depois, é só celebrar. O passeio é uma experiência que transcende a mera observação de animais livres em seu habitat, longe de jaulas e cercas. É, acima de tudo, uma vivência incomparável. Muitos turistas chegam às áreas de reserva com a expectativa de ver manadas, animais em profusão, estimulados por documentários sobre a vida selvagem no planeta. Tudo o que as imagens mostram é verdade. As televisões apenas não dizem que levam meses - ou anos - para captar esses momentos em que grupos de animais se deslocam de um local para outro. Logo, não se pode querer ver tudo de uma só vez, seja numa parte do dia ou da noite. A maioria dos animais é vista de longe, entre arbustos. Os que ficam mais próximos das ”picadas”que atravessam Pillanesberg ou o Krugger tendem a esconder-se com a chegada ruidosa dos visitantes, que não sabem disfarçar a euforia ao dar de cara com os animais em plena liberdade. |
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