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A magia de uma ilha atlântica Não seria fácil se quiséssemos encontrar um único adjectivo num qualquer dicionário para ilustrar essa ilha do Atlântico. Na realidade, para a qualificar, e falando apenas das belezas naturais, seria necessário somar adjectivo após adjectivo. Então, e talvez nessa altura, fosse possível atingir e passar uma imagem mais real do que nos é oferecido por essa ilha que dá pelo nome de Madeira por Fernando Borges As imagens literárias são bonitas, é um facto, mas não passam já de lugares comuns que toda a gente repete quando se fala ou se escreve. E tanto as palavras como as frases mais utilizadas são hoje, muitas vezes, simples chavões que ficam muito a desejar em confronto com a realidade. E isto acontece quando se fala ou se escreve sobre a Madeira. Assim, por exemplo, não a chamarei de Pérola do Atlântico. Direi antes e apenas que é uma pequena maravilha da natureza, artística, ímpar e cativante. Efectivamente, parece que a Mãe Natureza foi excessivamente liberal neste recanto do Planeta ao distribuir, com mãos rotas, dádivas sublimes que fazem inveja a outras terras e muitas gentes. Quem ruma à Madeira vai parar, naturalmente, à cidade do Funchal. A primeira sensação que o viajante recebe é de grandiosidade e imponência face a um cenário de magia que lhes prende a atenção e os sentidos., principalmente quando essa chegada acontece pelo mar. De um lado, a encosta salpicada de moradias que à noite mais parece um firmamento cravejado de estrelas; ao fundo, uma baía de sonho, com iates, navios de cruzeiro e o antigo iate dos Beatles transformado em restaurante e ponto de encontro de turistas; mais ao lado, piscinas naturais enquadradas por hotéis e restaurantes onde se pode saborear a tão apreciada gastronomia madeirense; depois, as lojas de artesanato, as ruas e calçadas típicas, os recantos pitorescos, os museus e os palácios; finalmente, mas principalmente, as flores exóticas e a permanente presença da vegetação tropical. Mas não são apenas os encantos do Funchal que a Madeira tem para oferecer. Bem pelo contrário. E quando se fala em aventura, lá estão os carrinhos de verga sem rodas, guiados por dois peritos que controlam a louca correria e percorrem vertiginosamente os quatro quilómetros que separam a igreja do Monte da cidade. Mais à frente, o miradouro do Cabo Girão, a maior falésia da Europa e a segunda do mundo, caindo na vertical até ao Atlântico nos seus 633 metros, espera para impressionar e oferecer momentos de contemplação de rara beleza. Antes de se reiniciar o caminho em direcção da encantadora Ribeira Brava e uns momentos de interiorização na Pousada dos Vinháticos, rumando-se depois ao encontro dos miradouros que o levarão até à Cumeada onde dificilmente se deixará fascinar e envolver pela luxuriante vegetação da floresta laurissilva, Património Mundial, ou pelo deslumbre oferecido por S. Vicente, plantado à beira-mar, num cenário verdadeiramente imperdível. Daqui até Porto Moniz, o respeito e fascínio de uma estrada inspira as mais emocionantes sensações. Furando toneladas de rochas da montanha, por onde caem cascatas de água pura e refrescante, um paraíso de piscinas naturais esperam o turista para uns tranquilos e revigorantes momentos de frescura em contacto directo com um pouco desse imenso Atlântico, onde o verde da paisagem se mistura com o azul do mar. Seguir depois em direcção da Ponta do Sol e da Calheta é um outro atractivo passeio que o levará à pitoresca vila do Paul do Mar, antes de iniciar a subida até ao Paul da Serra. O maior planalto da ilha, de onde se tem uma das mais espectaculares vistas sobre uma infindável cadeia de encostas. Puro deslumbramento. E Santana também é um bom ponto de partida para passeios a pé pelo Caldeirão Verde e um preparativo para descer em direcção até ao Faial, onde a surpresa e imponência das montanhas que descem até ao mar o deixarão fascinado, como fascinado o deixará o Caniçal e essa fantástica obra da Natureza que é a Ponta de S. Lourenço, o ponto mais oriental da ilha. Um verdadeiro prodígio do Criador na sua aridez, nos seus recortes e na sua violência paisagística, contrastando com todo o verde que caracteriza a ilha. E é já no regresso ao seu ponto de partida para esta visita à ilha da Madeira, entrando pelo lado oposto, que encontra a ponta do Garajau, de onde avista as Ilhas Desertas, e o miradouro de São Gonçalo, de onde tem uma das mais surpreendentes vistas sobre o Funchal. |
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