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E o Alentejo aqui tão perto….

Quantos de nós, após várias horas de avião, viu frustradas as suas expectativas relativamente a este ou aquele destino, a esta ou aquela paisagem. Por outro lado, os amantes das viagens, lembram-se com certeza como nos encanta cada regresso a Portugal. Pela sua luminosidade, gastronomia variada, qualidade dos seus vinhos e pela forma calorosa das suas gentes. E poucos lugares encantarão tanto nesse regresso como o Alentejo e a sua vasta planície. Aqui e ali pontilhada de belas cidades e vilas e que em Monsaraz um desses belos exemplos.

Por Ana Ricardo

Aqui e ali pontilhada de belas cidades e vilas, o Alentejo é sem dúvida um destino obrigatório para quem, e depois de uma viagem por paragens longínquas, regressa desejoso de um reencontro tranquilo com o “nosso” Portugal e o que de melhor ele tem para oferecer. Apenas há que escolher uma vila ou uma cidade e deixar-se ficar e inspirar os seus sabores, os seus aromas e tipicidade. E Monsaraz é, por certo, uma das melhores opções para esse recarregar de baterias. Nem que seja por alguns momentos.

Pois bem, aceite o desafio e venha daí conhecer melhor a planície Alentejana. Destine um fim-de-semana, ou dois ou três dias no meio da semana para este passeio. Leve na bagagem uma lanterna, uma máquina fotográfica, uns binóculos, alguns agasalhos mais fortes para a noite e acima de tudo muito boa disposição. Não queremos que perca pitada.

Quer venha de Norte, Sul ou do Centro, o Alentejo fica apenas a duas ou três horas de caminho. Rume à vila medieval de Monsaraz, uma das mais antigas vilas de Portugal, habitada desde tempos pré-históricos e conquistada aos árabes em 1232 pelo rei D. Sancho II com o apoio de cavaleiros da Ordem do Templo.

Em 1385, Monsaraz foi invadida pelas tropas castelhanas do rei D. João I, mas cedo foi reconquistada por D. Nuno Álvares Pereira, a quem foi doada pelo rei português, tendo mais tarde vindo a integrar as propriedades da Casa de Bragança.
Mas foi após a restauração da independência Nacional em 1640, que foi construída uma nova linha de fortificações, tornando Monsaraz numa vila praticamente inatacável.

Aproveite a sexta-feira e parta a tempo de chegar a Monsaraz para ver o Sol esconder-se no horizonte. Sente-se no muro que dá acesso à entrada da vila e aprecie, descontraia e deixe-se levar pela magia do momento, do céu limpo matizado pela cor alaranjada do sol a despedir-se de si, de todos. E faça o registo fotográfico desse momento.
Aproveite para fazer o check-in no alojamento que escolheu antes do jantar. O Alentejo é conhecido pela sua gastronomia rica e variada, onde o pão tem o papel principal, já que é utilizado na confecção dos principais pratos (migas, gaspacho e açordas). Importantes são também, a carne de porco, a carne de borrego e na época de caça, o coelho, a lebre, a perdiz e o javali. Embora menos utilizado que a carne, também o peixe faz parte da gastronomia desta região, donde se destacam os peixes de água doce, (barbo, achigã e lúcio). Depois o azeite, a banha de porco e ervas aromáticas como a salsa, os coentros, poejos, hortelã e orégãos, emprestam o sabor refinado a que nos habituámos.

As azeitonas, os enchidos os queijos e os presuntos, são utilizados na preparação de alguns pratos ou apenas servidos como entradas. Se é apreciador de bom vinho está no sítio certo. Aproveite e eleja para acompanhar a sua refeição um dos vinhos das várias adegas da região que aqui lhe sugerimos. Para sobremesa, escolha um dos muitos doces conventuais.

Com tantas iguarias, a refeição só poderia ser farta e bem regada. É cedo para se recolher. Está na hora de se munir de mais agasalhos, uma lanterna e não esquecer a máquina fotográfica.
Dirija-se para o castelo. Com a ajuda da lanterna alumie os seus passos e suba com cuidado os degraus das escadas. Escolha o local, pare, sente-se e aprecie o céu estrelado. Tente identificar na via láctea, a Ursa Maior, a Ursa Menor e a Caciopeia. Veja o reflexo da lua nas águas prateadas da grande lagoa da reserva do Alqueva, constituída por qualquer coisa como 250Km2 de água que se espraia pela planície. Apure o ouvido e deixe-se invadir por todos os sons da natureza; a brisa, os morcegos, os pássaros… depois desta sinfonia, percorra sem pressas as ruas da vila, com o seu casario branco, as varandas e candeeiros de ferro forjado, as flores que assomam as janelas… e a vida parece ter parado no tempo.

Registe também este ou aquele detalhe com a sua máquina fotográfica.
Agora sim, pode ir dormir sereno e reconfortado. Mas vou pedir-lhe mais um sacrifício, que não vai dar por mal empregue. Garanto-lhe que será o ponto alto dessa sua passagem pela planície alentejana. Sábado, levante-se cedo, direi às 06h30 da manhã. Agasalhe-se de forma confortável e use calçado seguro. Leve os binóculos e o material fotográfico numa mochila por forma a ficar com as mãos livres. Depois, suba todos os degraus da torre de menage que fica do lado direito da Porta da Vila e deslumbre-se com a paisagem de 360º à sua volta. Repare, todos os lugares do “Auditório” lhes estão reservados.Respire o ar frio e rarefeito da manhã e aguarde que despontem os primeiros raios de sol. Não perca nenhum pormenor, registe tudo. O tom azul do crepúsculo, os primeiros reflexos do sol na água da lagoa, aquela bola laranja de fogo que se levanta no horizonte e que ilumina a nossa alma e tudo ao redor.

Deixe-se contagiar pela alegria dos pássaros, dos grilos e das cigarras. Pois aí está um novo dia. Se lhe aprouver, volte para a cama e durma mais um pouco. Depois tome o pequeno-almoço no pátio ou na balaustrada do Convento consoante o alojamento que escolheu e delicie-se com as compotas e pão caseiros, o sumo de laranja e o mel.
E fica pronto para partir à descoberta da vila, dos seus monumentos, dos quais destacamos, o Castelo, o Pelourinho, os Antigos Paços da Audiência e Fresco do Bom e Mau Juiz, a porta da Vila, a Capela de S. José, a Ermida de S. Bento, a Casa da Inquisição e nos arredores não deixe de visitar as Antas do Olival da Pega o Menir da Bulhoa e por último a Rocha dos Namorados (afloramento natural de granito, em forma de cogumelo com altura superior a 2 metros, com gravuras megalíticas, com a parte superior coberta de pedras, representando a prática de um ritual local, onde cada pedra atirada ao monumento que caia representa um ano de espera em relação ao casamento, caso tenha sucesso à primeira tentativa, este realizar-se-á brevemente).
Mas não perca a oportunidade de conversar com alguns habitantes locais. Os alentejanos são pessoas simpáticas, afáveis e de grande coração. E não perca outra das riquezas culturais que o Alentejo tem para oferecer, o seu artesanato. Em Monsaraz, o mais expressivo é o que sai da Olaria de São Pedro do Corval, considerado o maior centro oleiro do país, com cerca de 25 olarias, encontrando ainda trabalhos em cobre, chocalhos, peles e tecelagem.


No regresso, aproveite para trazer boas recordações e quem sabe, uma enorme vontade de voltar!

Destaques

Casa Dona Antónia
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Estalagem Monsaraz
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Onde Comer

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Monsaraz

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