Sempre que viajo levo tudo dentro de mim
Levo o peso dos sonhos, a leveza da alegria, a emoção do olhar e os braços abertos a tudo aquilo que é novo e diferente. Com os cinco sentidos mais alerta do que nunca eis-me pronta para mais uma aventura por terras africanas.
por Maria da Assunção Avillez (Fotografias e Texto)
O destino eleito é a Namíbia. Situado no sudoeste africano entre o oceano Atlântico e o Calaári este país teve séculos de ocupação. De colónia alemã a província da África do Sul, a Namíbia é hoje um país independente e promissor, composto por diversas raças e tribos, onde o turismo de massas é ainda inexistente e a beleza de cada lugar permanece intacta. Este flying safari com direito a diversos stops permitiu-me sobrevoar a Namíbia de norte a sul.
Assim após a minha chegada ao aeroporto de Windhoek, capital da Namíbia, junto-me aos meus novos companheiros de viagem, que tal como eu estão desejosos de embarcar nesta odisseia que não só nos levará mais rapidamente aos destinos eleitos, como nos irá mostrar, durante sete dias, o melhor e o mais belo da Namíbia.
O deserto de Sossusvlei
Durante sessenta minutos voamos em direcção a sudoeste rumo a Sossusvlei, uma região localizada às portas do deserto, em pleno Parque Natural de Naukluft. Do ar aprecio a paisagem intacta e tento tirar umas fotografias enquanto o nosso piloto e guia nos vai falando dos lugares que estamos a sobrevoar. Por fim aterramos numa pista de terra batida onde um jipe nos espera para nos conduzir ao lodge, Sossusvlei Wilderness Camp, em pleno deserto da Namíbia, o mais antigo deserto do mundo.
O Lodge que me vai albergar durante os próximos dias é lindo e acolhedor. Como é possível existir este pequeno oásis no meio do nada? Erguido sobre uma pequena montanha, as cabanas dispersas oferecem quartos confortáveis, de janelas rasgadas sobre a paisagem a perder de vista e, para grande luxo, cada cabana possui uma pequena piscina. Pensei que era uma miragem provocada pelos quarenta graus à sombra.
A fome aperta e após uma saudação à nossa chegada, segue-se um almoço apaladado, disposto numa enorme mesa corrida voltada sobre a paisagem. Mais tarde, cada um recolhe aos seus aposentos para uma sesta, ou refrescar-se na tão desejada piscina, pois o calor é quem mais governa nas lides do deserto.
Às cinco da tarde e ainda sob um sol abrasador, saímos em grupo para um passeio pelas redondezas. De jipe, e tendo como horizonte o deserto, percorremos diversos trilhos, apreciando árvores ancestrais, pássaros de plumagens coloridas e ainda as curiosas avestruzes do deserto.
No dia seguinte, saímos de jipe, rumo às dunas mais altas e mais antigas do mundo. No contra luz da aurora, trepo a uma duna para melhor contemplar o horizonte belo e ausente. Então, vejo o sol a despontar, as dunas densas e ainda mais vermelhas tomando formas vivas e irregulares. Obras ímpares da natureza obras de uma arte “Maior”.
Depois deste extraordinário momento, eis-nos a caminho de Dead Valley, um lugar de uma beleza especial perto do milenar Sesriem Canyon. Um vale seco, de cor esbranquiçada, onde as águas do rio Tsauchab só chegam em tempos de abundância e onde repousam velhas acácias, árvores mortas de tanta sede e secura.
Mais tarde procuramos a sombra de uma árvore para um piquenique preparado com amor e preceito. Depois, regressamos à quietude do lodge para descansar e ao fim do dia, já refeitos do passeio, jantamos e celebramos em amena cavaqueira a magia de tão belo lugar.
A cidade de Swakopmund e o deserto de Damaraland
O próximo destino é Damaraland. Antes, porém, faremos uma breve paragem na cidade costeira de Swakopmund e o prometido passeio de barco, para conhecer a fauna marinha que é rica e diversa.
Voamos baixinho sobre o deserto para melhor apreciar as deslumbrantes dunas vistas do céu. A bordo a expectativa é grande. Do ar e só do ar, se pode apreciar este assombroso espectáculo da natureza. O Sesriem Canyon, também ele visto do ar, é impressionante e as dunas, esculpidas pelos ventos, tomam as formas e as cores mais diversas. Uma emoção visual que jamais esquecerei.
Junto ao litoral sobrevoamos a famosa Costa dos Esqueletos sob uma neblina intensa, que, apesar de tudo, nos mostra o areal salpicado de casas e barcos naufragados.
Por fim aterramos perto de Walvis Bay. Á nossa espera está uma carrinha que nos conduz ao pequeno porto para um passeio de barco. As nuvens, o vento e a pouca visibilidade marítima não permitem apreciar a costa tanto quanto queríamos contudo, assistimos à inesperada brincadeira das focas e dos pelicanos e presenciamos ainda o bailado dos golfinhos e das baleias.
Segue-se a cidade de Swakopmund, fundada pelos alemães em 1890, que guarda desde então os vestígios de uma arquitectura germânica. Possui belos e importantes edifícios, jardins bem cuidados, algum comércio e boa doçaria. Aproveito para comprar um mapa, livros e saborear um delicioso bolo e um café. Regressamos à nossa avioneta e durante uma hora observamos paisagens incríveis até ao nosso destino.
Finalmente eis-nos em terras de Damaraland. A gente que aqui habita, os damaras, pertence à mais velha etnia da Namíbia. Agricultores modestos vivem rodeados de rochas graníticas, onde a fauna e a flora é parca e pobre.
O Damaraland Camp está inserido numa reserva de milhares de hectares e as diversas tendas abrigadas num vale protegido primam pelo seu conforto e pelas suas casas de banho a céu aberto.
A sala principal deste acolhedor acampamento tem defronte, no terreiro, a imprescindível fogueira com cadeiras em redor, prontas para quando a noite chegar. Durante dois dias explorámos o deserto rochoso seguindo os trilhos no encalço dos elefantes solitários que habitam a região, uma raridade em vias de extinção e, aprendemos a observar os pássaros e a distingui-los entre a folhagem.
À noite, no conforto da fogueira, contemplo a noite estrelada, e penso nesta viagem fantástica, na oportunidade de viver estes dias únicos no meio do tudo e do nada. Então, agradeço ao destino e deixo tudo seguir para onde o coração me leva.
A caminho do Parque Natural de Etosha
A bordo da nossa avioneta e em boa companhia seguimos desta vez rumo a norte. O nosso poiso, durante os próximos dias, é no Ongava Lodge junto ao Parque Natural de Etosha.
Esta reserva com mais de setenta mil hectares, em tudo superou as minhas expectativas e o Lodge implantado em plena vegetação é mais um refúgio de sonho.
Ao fim do dia passeamos de jipe pela Reserva de Ongava. Sei que aqui abundam quase todos os animais que existem à face da terra. Ao primeiro olhar não é fácil vislumbra-los mas, o guia experiente, de repente, aponta e diz: − Rhino, rhino!
Então, por entre a folhagem fina e densa descobrimos um imponente rinoceronte e a sua cria.
Ao fim do dia fotografo ainda dois leões em plena brincadeira enquanto, no céu, se desenha um Sol luminoso, deslumbrante. Então, paramos e brindamos à vida como se faz por estas bandas.
Após o agradável jantar e por entre conversas muito “africanas”, daquelas que eu gosto, fazemos, em conjunto, um balanço da viagem e, em uníssono declaramos que esta foi a viagem das nossas vidas.
São 05,30 da madrugada e junto à porta da minha cabana está Alfredo, guia de nacionalidade angolana que, desde logo, decidiu que seria o meu anjo-da-guarda.
Uma vez aprontados seguimos para mais um safari. Percorremos a savana aberta, atravessamos os lagos salgados e barrentos admirando as magníficas cenas da vida selvagem.
Para terminar em beleza esta viagem fotografei uma manada de elefantes espojada nos lagos salgados, as esguias girafas, os soberbos leões e todo o horizonte aberto e desmedido.
Despeço-me da Namíbia.
Na memória guardo a beleza de uma outra África. O sorriso e o olhar daqueles que me acolheram, as mil cores do deserto, os animais em todo o seu esplendor e todos os lugares singelos que visitei.
Uma viagem surpreendente que me permitiu conhecer a imensidão deste país africano visto do céu. Um luxo, um privilégio.
COMO IR
Across – Luxury Travel & Safaris
País
NAMIBIA é um país do sudoeste africano, situado entre o Calaári e o Oceano Atlântico. Independente desde 1990, é composto por diversas etnias.
Windhoek, a capital e a maior cidade da Namíbia, de origem alemã e esta situada no centro do país.
Documentos
Passaporte (não necessita de visto)
Idioma
Inglês
Moeda
Dólar da Namíbia. Leve ainda dólares americanos em notas pequenas e cartões de Crédito.
Diferencia horária
GMT + 2 horas
Clima
Desértico de temperaturas quentes e moderadas à noite.
O Deserto da Namíbia é um enorme deserto no sudoeste da África. É considerado como sendo o mais antigo deserto do mundo, tendo permanecido em condição árida há pelo menos 80 milhões de anos.
A sua aridez é causada pela descida de ar seco resfriado pela fria corrente de Bengela que passa na costa da Namíbia.
Embora o deserto seja na sua maior parte desabitado, há assentamentos em Sossusvlei próximos de um grupo gigante de dunas de areia, que ultrapassa os 340 m de altura e são as mais altas dunas de areia do mundo.
A palavra namib, no idioma nama, significa "enorme" e de facto o deserto ocupa uma área de cerca de 50.000km², estendendo-se por 1600km ao longo do litoral do oceano Atlântico no sul de Angola e da Namíbia. |