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Do Olimpo ao santuário do profundo mar azul Todos eles fizeram de país-berço da nossa civilização um pedaço de terra encantada. Eram filósofos, cavaleiros medievais, monges bizantinos, habitantes do Olimpo e da mítica Atlântida. Eram mitos e realidades que continuam a misturar-se nas veias do passado desse pedaço de terra na fronteira entre o Ocidente e o Oriente. Um passado que continua ainda bem vivo em Atenas, no monte Parnaso ou em qualquer das 160 ilhas espalhadas pelos mares Jónico, Mirtoano ou Egeu. Por Fernando Borges "A impressão que Atenas me causou foi, de longe, a mais forte que jamais senti. Há um lugar onde a perfeição existe (...) Até então uma só revelação parecia se aproximar do absoluto (...) Ora, eis que ao lado do milagre judeu vinha anunciar-se o milagre grego (...) Quando vi a Acrópole, tive a revelação do divino." O que há assim de tão extraordinário, quase que comparável ao milagre bíblico da criação, nessa invenção grega de dar-se a conhecer? Se quisermos resumir num só conceito, a palavra certa seria “natureza” - physis, em grego. De facto, com essa única concepção, até porque o termo "natureza" não consta da Bíblia, os gregos acabaram por elevar a história cultural da humanidade a um novo patamar. E quando hoje a nossa ciência fala de natureza, está a falar grego, na verdadeira essência do sentido. Até porque, segundo os historiadores, 75% do vocabulário científico e filosófico existente provém de Aristóteles. Como se deu essa invenção fantástica que foi unir filosofia, natureza e deuses? Talvez a resposta esteja para além da resposta natural que um grego lhe dará quando questionado sobre qual é o lugar mais bonito do mundo, qual o país que tem a melhor comida ou o melhor vinho. A resposta estará também no orgulho e na forma passional como os descendentes dos inventores da democracia e da filosofia - aqui viveram Hipócrates, o pai da medicina, Péricles, pai da democracia, Sócrates, pai da filosofia, e até Heródoto, pai da própria história – lhe respondem. Um descendente desses pais que gesticula como um louco, que fala e ri de uma forma que se consegue ouvir na ilha vizinha e que faz de qualquer motivo razão para intermináveis e agitadas conversas. Mas que também faz da hospitalidade uma das suas bandeiras. E nada melhor do que ficar à vontade num local rodeado por mais de 2 mil ilhas espalhadas pelos mares Egeu e Jónico. Tantas que ninguém até agora conseguiu determinar o número exacto, mas que em comum têm apenas a cor da água que as envolve, um azul ao mesmo tempo profundo e cristalino, e a capacidade de arrancar suspiros a quem as visita. Mas falemos apenas de Mikonos e Santorini. Em Mikonos, o melhor mesmo será começar um fim de tarde em Paradise Beach, quando o autocarro público caindo aos bocados pára e um grupo de jovens bronzeados faz fila para entrar. A quantidade de gente seria suficiente para encher outros três autocarros, mas ninguém se incomoda. Quando parece não caber mais uma alma, um funcionário cabeludo da empresa de transportes ajeita aqui, ali, empurra mais um bocado, coloca os três últimos gatos-pingados empoleirados nos degraus traseiros e faz força para fechar as portas com as mãos. Olha para a lata de sardinhas que acabou de criar, ri com a boca toda e acena num simpático adeus. Durante o percurso até o centro de Chora, a capital da ilha, as “sardinhas” tentam equilibrar-se como podem em cada curva sob um calor de quase 40 graus. De repente, o motorista liga o rádio preso por fita adesiva, roda o botão do volume ao máximo, e a festa começa. Uma ilha que no auge do verão é invadida por uma multidão ávida por um lugar ao sol, por DJs mais ou menos famosos e pretendentes a modelo que dançam em cima da mesa. Já em Santorini, não importa onde se amanhece, que passe o dia entre ruínas arqueológicas, se esturrique numa espreguiçadeira às margens do Mar Egeu, que suba os 587 degraus do Porto de Skala Firon até o centro de Fira a pé ou no lombo de um burro. O que interessa é que no fim do dia se esteja na vila de Óia, num lugar onde a brisa sopre fresca, de preferência flutuando sobre o mar numa piscina que desafia as leis da física, erguida numa encosta a mais de 100 metros de altura. E esperar que cheguem as 8.30h, quando o céu fica vermelho. Os gregos criaram a democracia, as artes dramáticas, a filosofia ocidental e, porque não, inventaram o patriotismo. Habitantes de um país que ostenta o título de berço da civilização e que dividem com o resto do mundo toda uma enciclopédia ainda viva de história e cultura. E são muitos os lugares na Grécia onde é possível viajar no tempo com uma precisão inigualável, permitindo entender toda uma complexa civilização que marcou e continua a marcar a vida terrena. E é a alguns desses locais da história humana que dedicamos os destaques neste Destino Europa . Acrópole, Atenas O complexo de templos da Acrópole repousa majestosamente sobre a colina mais alta da cidade de Atenas desde o século V A.C. A sua atracção máxima é o Parthenon, grande favorito a símbolo de toda a herança Clássica grega. Mas é aqui que também estão os famosíssimos Templo de Atena Nike, conhecido como "jóia da arquitetura Grega", com as suas oito mini-colunas jónicas, e o Erecteion, sustentado por seis figuras femininas, as Cariátides. Nascida como uma fortificação militar de um único dono, só mais tarde a Acrópole adquiriu um carácter religioso Ágora Antiga, Atenas Enquanto a Acrópole era o estandarte que exaltava o poderio da Atenas Antiga, a Ágora era seu coração e sua alma. Um espaço aberto onde se protagonizaram as mais diversas actividades económicas, legislativas, judiciais, políticas, desportivas, religiosas, culturais e industriais. ". Ou seja, era o palco do dia-a-dia ateniense. Um território que também foi utilizado como área residencial e como cemitério durante o período Neolítico (3000 a.C.) e que só se tornou área pública no século VI A.C. Foi na Ágora que se deu a promoção do homem na sua forma mais sofisticada e completa, alcançou os mais altos níveis conseguidos na História com a prática das mais nobres virtudes como a busca da sabedoria, a prática das belas artes e o cultivo do desenvolvimento corporal. Asclepion, Kos O Asclepion era um antigo santuário de devoção ao deus da saúde. No ano V A.C., Hipócrates, o pai da medicina, nascido na ilha, construiu ali o primeiro hóspital-escola do mundo, segregando a medicina, até então manejada por magos e sacerdotes, do obscurantismo e elevando-a ao nível de ciência. Além de ensinar os seus discípulos, Hipócrates passava também a noção de dever e de ética profissional. Nascia assim a tradição do "Juramento Hipocrático", utilizado até hoje por médicos do mundo inteiro. Knossos, Creta Terramotos, uma onda gigante provocada pela erupção do vulcão de Santorini e invasões micénicas. Todas essas catástrofes foram responsáveis pelo total desaparecimento da civilização minóica sem deixar registos escritos, apenas chegando aos dias de hoje pelos relatos da mitologia grega. Até que o célebre arqueólogo inglês sir Arthur Evans, cujas escavações provaram cientificamente a existência dessa civilização, fez com que as fronteiras entre lenda e verdade passassem a ser ainda mais misteriosas e obscuras. Creta é para ser vista com calma. Para muitos, é aqui, em Creta, que encontramos o verdadeiro berço da civilização ocidental, sendo imperdível uma visita ao Palácio de Knossos, à casa do Minotauro e do lendário Labirinto. A maior e mais intrigante construção remanescente do império do rei Minos. Olímpia O lugar onde nasceram os Jogos Olímpicos foi o centro cultural mais importante da Antiguidade. A cada quatro anos, participantes da Sicília, Ásia Menor, norte da África, Macedónia e Grécia reuniam-se para competir e traziam consigo poetas, artistas e intelectuais. As primeiras olimpíadas foram realizadas em 776 A.C. A princípio, homens atléticos - nus - competiam numa corrida de 192 metros. Mais tarde, outros desportos foram sendo acrescentados. O Templo de Hera, erguido no ano 600 A.C., é a construção mais antiga de Olímpia e o mais antigo templo dórico da Grécia.
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