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A Pérola de África por Maria da Assunção Avillez (Fotografias e Texto)
Rumo a Norte Saímos da capital, Kampala, às 5 horas da manhã em direcção a norte. O dia anuncia-se quente e as centenas de quilómetros de estrada de terra batida prometem ser duras mas, é tal o meu contentamento que depressa me esqueço do percurso que tenho pela frente. Ronnie é jovem, bom conversador e parece ser desenrascado, fala-me do seu país mas pressinto que morre de curiosidade por saber o que afinal faço eu ali, sozinha, com uma mochila e duas câmaras penduradas ao pescoço. O primeiro stop é para observar a nascente do rio Nilo um lugar que desde sempre sonhei conhecer. Aproximamo-nos. É ali mesmo junto ao Lago Vitória que nasce o Nilo Azul, a este junta-se o Nilo Branco e importantes afluentes que atravessam o imenso continente africano criando lagos, deltas e barragens até finalmente este se mostrar tal como o vi a deslizar belo e poderoso em terras de faraós. Satisfeita com a visita efectuada seguimos ainda mais para norte ao encontro do Parque Nacional de Murchison Falls. Os cerca de 400 quilómetros por estradas quase desertas e esburacadas levam-me a conhecer a cidade de Hoima com direito a uma breve paragem para comer uma galinha apaladada e comprar cinquenta garrafas de água. Segue-se então a cidade de Masindi onde o burburinho é grande pois a presença do nosso jipe é um acontecimento. Ali, aproveito para tirar umas fotografias num cabeleireiro local, enquanto Ronnie atesta o depósito do jipe cansado. Foram precisas mais de sete horas para chegar ao destino final, mas devo dizer que valeu tudo pois o Parque de Murchison Falls é magnífico. Entusiasmados fazemos uma caminhada para espreitar de mais perto as quedas de água. À brutal explosão do Nilo Azul que corre furioso através de uma garganta estreita e rochosa do Rift Valley, junta-se o barulho ensurdecedor das águas, o céu fica de repente negro e constato que não há viva alma. Um momento mágico, fantástico! Depois de admirar este espectáculo impressionante, dirijo-me então para pernoitar no Paraa Safari Lodge. Assim atravesso a margem do rio, numa jangada ferrugenta, até ao meu poiso admirando uma paisagem nova e luxuriante. O hotel inaugurado pela rainha Isabel II de Inglaterra nos anos cinquenta em tudo mantém o seu aspecto " British". Um edifício estreito e longo, implantado numa pequena elevação que só por si vale pela panorâmica. Em direcção a Sul rente ao Rift Valley Com piquenique encomendado à maneira eis nos de partida para o próximo destino, a floresta de Kibale. São cerca de 500Km por estradas quase sempre de terra batida onde, de quando em quando, aparece um camião de difícil ultrapassagem. Por vezes esta corre rente ao Vale Albertine, o famoso e ancestral Rift Valley, um trajecto perturbador se pensarmos que neste lugar há 35milhões de anos o calor subterrâneo provocou a ruptura da crosta terrestre erguendo cordilheiras e provocando vulcões que deram origem a crateras e lagos mudando para sempre a desenho desta paisagem africana. Curiosa e impressionada já só penso em comprar um livro que me fale mais e melhor sobre o Rift Valley.
Os Gorilas da Montanha Mas o apogeu desta viagem é o “Tracking”, de quatro dias, à impenetrável floresta do Parque Nacional do Bwindi situado a sudoeste do Uganda. A expectativa de poder observar de perto os gorilas da montanha, espécie de primatas em vias de extinção e que só naquele território existem, põem a minha adrenalina ao rubro. GUIA DE VIAJEM Como ir Across Luxury Travel & Safaris. www.across.pt Capital Kampala Superfície 236.040 km2 População 28.195.754 habitantes Língua oficial Inglês, luganda e kiswahili. Clima 16° a 25°C. - Clima Equatorial húmido, mas temperado. (Atenção ao frio nas regiões altas). Moeda Shilling - 1€ = 2200 UShg. Diferencia horária GMT + 3 horas. Electricidade 220 a 240 volts. Tomada tipo “inglesa”. São obrigatórias diversas vacinas Febre-amarela, tétano, Hepatite e Malária. Consulta do viajante Hospital Egas Moniz. Quando ir Julho a Setembro e Dezembro a Fevereiro São precisas autorizações para entrar na floresta do Bwindi para observar os gorilas, informe-se junto do seu agente de viagens. Passaporte válido por 6 meses. Pedido de visto à chegada ao aeroporto. O Grande Vale do Rift É um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica. Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria passando por diversos países africanos até ao centro de Moçambique, na Tanzânia, a norte do Lago Niassa, o vale divide-se mais uma vez, com um ramo que segue para noroeste e depois para norte, formando o Lago Tanganyika, que faz a fronteira entre a República Democrática do Congo, a Tanzânia e o Burundi, a seguir Lago Kivu, que separa o Ruanda do Congo, os lagos Eduardo e Lago Alberto, com uma das nascentes do rio Nilo, que o separam do Uganda e que é chamado Rift Ocidental ou Albertino, onde se encontra a maioria dos Grandes lagos Africanos, já mencionados. O Lago Vitória encontra-se entre os dois ramos do Vale do Rift Os Parques Nacionais do Uganda O Uganda possui 10 Parques Nacionais com uma logística organizada. O Nilo O Nilo é um rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do equador e desagua no Mar Mediterrâneo. A sua bacia ocupa uma área de 3 349 000 km2 abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egipto. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6695 km. O Nilo propriamente dito começa em Jinja (Uganda), na borda norte do Lago Vitória, correndo para norte através das quedas Ripon passando pelo Lago Kioga e pelo Lago Alberto. O ramo entre estes dois lagos é conhecido como o Nilo Vitória. O que levar para a sua visita às Montanhas dos Gorilas Um anorak leve e à prova de água, camisola quente e fina, tee-shirt para assim que estiver calor e sair da floresta se possa sentir mais fresca, calças impermeáveis e se possível contra mosquitos bem como uma camisa, meias finas, botas confortáveis próprias para andar e à prova de água, chapéu, creme protector solar sem cheiros e repelente igualmente sem cheiro, luvas finas, (tipo jardinagem), para se poder agarrar às arvores, arbustos e não se magoar. Água e nunca, nunca esquecer a câmara fotográfica, lentes 200-300, rolos fotográficos e uma pequena maquina digital automática para poder disparar à sua vontade e sem perder tempo.
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