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Sobre o olhar de Santa Luzia “Entre sombras misteriosas, Uma viagem ao passado, numa cidade moderna, com sabor a mar, a tradição, festas, romarias, boa gastronomia, belas paisagens, pessoas hospitaleiras. Vale a pena conhecer uma das cidades mais bonitas de Portugal. Viana do Castelo, situa-se entre a foz do Rio Lima e o oceano atlântico, sob o olhar do monte de Santa Luzia, conferindo-lhe uma paisagem encantadora. Por Manuela Silva Dias No ano 1258,o nome de Viana, aparece pela primeira vez no foral, concedido pelo quinto rei de Portugal, D. Afonso III, fazendo este ano 750 anos. Através dos vestígios encontrados, supõe-se que este lugar tenha sido habitado desde a pré-história. Durante a época dos descobrimentos, do porto desta vila marinheira saíram muitas embarcações. Regressavam cheias de tesouros que iam enriquecendo a população. No sec.XVI e com a riqueza acumulada, foram construídas casas senhoriais e muitos edifícios nobres, que actualmente, tornam Viana numa espécie de museu vivo e habitado. O centro histórico, é um dos mais bem conservados de todo o país, com casas manuelinas, palácios, igrejas, largos e praças pitorescas, sendo um prazer percorrer as suas ruas estreitas e vielas, que estão apenas reservadas a peões. A praça da república, continua a ser o centro da vida cívica e comercial da cidade, onde partem as principais artérias do centro histórico. No centro da praça encontramos o chafariz quinhentista, um ponto de encontro de há muitas gerações. Estando na praça, podemos também apreciar os antigos Paços do Concelho, edifício do sec. XVI , inteiramente construído em granito, o edifício da Misericórdia, de arquitectura renascentista e a sua Igreja. Todos considerados Monumentos Nacionais desde 1910. Podemos fazê-lo de três formas: de carro, a pé ou de elevador. A pé espera-o uma enorme escadaria que parte próximo da estação, aconselhada para os mais desportistas. Para os mais preguiçosos o carro é a opção, mas a mais divertida e diferente é subir pelo elevador da Basílica, construído em 1923. É um funicular de duas cabines que percorre 600 m de verdejante colina que aos poucos vai desvendando a paisagem. No cimo do monte encontramos o Templo de Santa Luzia, que é o Santuário consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cuja construção se iniciou em 1903. Esta basílica inspira-se no Sacré Coeur de Montmartre - Paris. No monte, pode também visitar a citânia, que é um dos mais conhecidos e emblemáticos povoados da Idade do Ferro do Noroeste, sendo conhecidas as suas ruínas desde o século XVII. Para os mais gulosos, nada como deliciar-se com os sidónios, uns bolos de chila com amêndoa, as cavacas, as meias -luas, a tarte de Viana que pode encontrar na Casa Natário, na rua Manuel Espregueira, uma das ruas mais compridas do centro histórico. No dia 20 é feriado em Viana, é o dia da padroeira, a Senhora da Agonia. É um dia sagrado para as gentes da ribeira, a santa da sua devoção, a que tantas vezes recorrem, nos momentos difíceis da vida dura de pescadores e de homens do mar. Na véspera, e durante todo a noite, podemos apreciar os preparativos para procissão de nossa Senhora ao Mar. Os pescadores limpam os barcos e enfeitam-nos, todas as ruas da ribeira são cuidadosamente adornadas com sal e pétalas, formando lindíssimos tapetes com motivos piscatórios, pelos seus moradores, mostrando desta forma, simples mas carinhosa, a sua devoção a nossa Senhora D´agonia. É uma noite de pura interajuda, de muita alegria e afecto, partilhada pelos moradores e todos que ali vão. São as farturas, os copos de vinho verde, as conversas cruzadas e a satisfação de manter a tradição. Os fogos de artifício, as serenatas, os arraiais, a feira do artesanato, a mordomia, os gigantones, os cabeçudos e os zés-pereiras, animam as ruas da cidade e dão as boas-vindas aos visitantes.Todos os dias, ao meio-dia, juntam-se na praça da república, os gigantones e cabeçudos que precedem os gaiteiros e zés-pereiras no cortejo pela cidade. O som estridente, sente-se no corpo todo, e o coração vibra ao som dos tambores, que se fazem sentir cada vez mais perto e mais forte, à medida que se juntam todos à volta do chafariz, tentando ver quem toca mais alto, numa mistura de cor, improvisação, alegria e divertimento, uma forma muito interessante de elevar as artes de rua. Pela noite dentro, a festa continua... os jovens vestem com orgulho as camisas tradicionais, todos se misturam nesta grande festa, vianenses e turistas, dançam na rua ao som das concertinas e dos bombos, cantares ao desafio, fazendo com que Viana permaneça viva nas suas tradições. A grandiosa serenata de fogo de artifício, encerra todos os anos as festas, iluminando a ponte de Eiffel de uma ponta à outra… Um espectáculo que enche a vista e apetece repetir! Havemos de ir a Viana, |
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