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Mistérios e encantos da África do Sul sobre carris

Nasceu em 1946 para oferecer sobre carris, com luxo e requinte, a descoberta dos encantos e magia da África do Sul, à realeza mundial e aos intitulados “sangue azul”. Porém, passadas algumas décadas, o Blue Train democratizou-se e as carruagens abriram-se a todos os que anseiam descobrir, os fascínios de um país que não deixa de surpreender. Isto sem abdicar do conforto, luxo e serviços personalizados que fazem do Blue Train um dos membros mais famosos e desejados do clube dos comboios de luxo.

Por Fernando Borges

Já recebeu reis e presidentes na mesma Pretoria Station onde agora embarcam turistas menos coroados e presidenciais vindos de todo o mundo para mais tarde desembarcarem na Cidade do Cabo após percorrerem 1600 quilómetros e algumas das regiões mais espectaculares da África do Sul durante dois dias onde o luxo e o requinte são uma constante neste verdadeiro representante de um hotel de cinco estrelas… sobre carris.
Um Blue Train que, e enquanto atravessa pequenos lugares envolvidos por uma rara beleza natural, como Klerksdorp, Bloemhof, De Aar, Beaufort West, Laingsburg, Matjiesfontein e Worcester, e após uma paragem na mundialmente famosa Kimberley, onde reina o brilho dos diamantes, vai oferecendo aos seus passageiros o desfrute do seu perfeito serviço de bordo ao longo das 18 carruagens que compõem este Blue Train.
Uma perfeição comum às 41 suites que se destacam pela sofisticação das camas decoradas com os mais finos artigos e tecidos, pela existência de banheira, hidromassagem e controlo individual da temperatura, enquanto nas áreas públicas detalhes em mármore e ouro ajudam a criar um ambiente de verdadeiro luxo. Quer no lounge, onde os passageiros podem ainda saborear o tradicional chá da tarde, ou no club bar. Um espaço ideal para momentos de descanso e o único lugar onde é permitido fumar e degustar os disputados charutos cubanos, enquanto em ecrãs panorâmicos passam imagens do exterior captadas por uma câmara instalada no alto da locomotiva.
Num outro vagão, transformado num requintado restaurante com capacidade para 42 pessoas, o pequeno-almoço e o almoço são servidos sem muita formalidade, enquanto o jantar exige um requinte maior, com homens de black-tie e mulheres em vestidos elegantes e no ar circulam notas de jazz e de música clássica. Uma companhia perfeita para um cardápio composto essencialmente por pratos da culinária da África do Sul, como cordeiro, avestruz e ostras acompanhadas com os vinhos produzidos nas melhores vinícolas da Cidade do Cabo, podendo as refeições serem servidas na própria suíte.
Outras regalias à disposição dos turistas são a Jewellery Boutique, onde jóias feitas a partir de preciosidades minerais reflectem a cultura e o estilo de vida sul-africano.
Uma viagem de sonho que se pode estender pelas regiões de Port Elizabeth, conhecida por ter uma média diária de sete horas de sol, por ser um dos melhores locais do mundo para a prática de navegação à vela e local do Wilderness National Park, reduto de espécies de pássaros que frequentam lagos e pântanos, ou pelas gargantas do Rio Zambeze até às Victoria Falls.

Mas mesmo que o seu destino final seja a Cidade do Cabo, o Blue Train permitir-lhe-á passear-se pelo Cabo da Boa Esperança e pela “Table Mountain”, famoso marco histórico do país, cujo pico de 1 086 metros proporciona uma das mais belas vistas da Cidade do Cabo.
Um final de luxo após uma viagem de luxo, uma viagem ideal que ficará marcada nas memórias de quem tem a felicidade de embarcar neste Blue Train e que nos faz desejar escutar na primeira oportunidade um dos dez melhores discos de jazz alguma vez produzido, o Blue Train de John Coltrane.
É a doçura e a macieza de cada nota que nos eleva à sublime sensação de bem-estar, misturando-se naturalmente nas memórias de uma viagem inesquecível que, por coincidência ou não, também se chama Blue Train.