Vá, e volte com África no coração!
Viajar para África não é uma simples viagem ou mais uma viagem para juntar a tantas outras que já fez.
Visitar África é deixar-se contagiar pela simplicidade de um povo, partilhar a sua alegria em coisas tão simples como ter água potável, ter o seu rebanho de vacas ou cabras, de onde possa retirar o sustento para a família, e mesmo assim, sentir-se feliz e afortunado por estar vivo e viver em paz.
Quem visita África, corre sérios riscos de querer voltar mais vezes, porque cada regresso, é sempre mais intenso.
Conhecer África, altera-nos a maneira de pensar, a maneira como sentimos o mundo que nos rodeia e faz-nos acima de tudo sentir, afortunados, ou talvez não, pelas facilidades e abundância que temos.
O continente africano, abre-nos os horizontes com as suas paisagens a perder de vista, quer nas grandes planícies repletas de animais em estado selvagem, quer nas suas montanhas, quer ainda nos seus imensos lagos pintados pelo colorido dos milhares de flamingos que os habitam e sobrevoam num constante vai vêm que nos inebria os sentidos e nos faz sentir insignificantes perante tamanha beleza.
África surpreende-nos, acredite!
Por isso lhe sugiro: vá, e volte com África no coração!
Texto Ana Anya
A aproximação à Tanzânia faz-se pelo ar e logo ficamos deslumbrados pela imponência do famoso Monte Kilimanjaro com os seus 5.895 metros de altitude, que inspirou o lendário autor Ernest Hemingway a escrever um dos seus famosos e mais conhecidos romances, “Neves do Monte Kilimanjaro”.
A visão que dele temos quando o avião começa a perder altitude, é magnífica. Envolto por pequenas nuvens, mas mesmo assim, exibindo as suas neves eternas na cúpula, quase nos faz esquecer que estamos em África. Registo essa imagem na minha câmara digital. É o início do encanto e do frenesim de tudo querer registar para mostrar aos amigos e familiares num serão onde se comentam as peripécias e se fazem planos para regressar.
Aterramos no aeroporto internacional de Kilimanjaro e pernoitamos no Arusha Hotel na cidade com o mesmo nome.
A simpatia do Jambo e Karibu, palavras em swahili para “olá” e “bem-vindo”, com que os empregados do hotel me cumprimentam, logo me fazem entrar no espírito.
Arusha, também chamada de “Cidade Safari”, é a porta de entrada para actividades de safaris em parques, sobretudo os parques nacionais da região norte do país. Fica a 32 quilómetros do Monte Kilimajaro e aos pés do Monte Meru – montanha vulcânica com 4.565 metros de altitude, coberta por uma densa floresta tropical – popular nas excursões de escalada.
No Parque Nacional de Arusha com 137 quilómetros, podemos apreciar girafas-masai, elefantes, búfalos, rinocerontes, hipopótamos, macacos colobus, babuínos e uma grande variedade de antílopes.
Arusha é a cidade mais importante do Norte do País, com boas infra-estruturas para receber os turistas, bons hotéis, edifícios públicos e administrativos de envergadura significativa e praças cuidadas. Lá encontramos o Tribunal Internacional dos Direitos Humanos.
Logo pela manhã do dia seguinte, é-nos distribuído um jeep e ficamos a conhecer o nosso guia que nos levará nesta aventura de conhecer parte da Tanzânia e o seu afável povo.
Partimos para o Lago Manyara e ficamos alojados no Lake Manyara Serena Lodge, localizado a 1 240 metros acima do nível do mar, com uma vista deslumbrante sobre o lago Manyara.
Este belo Parque situado a 130 quilómetros de Arusha, é a base de uma escarpa do Grande Vale da Fenda, com o Lago Manyara cercado por uma floresta de vegetação densa, composta entre outras, por baobás de 300 anos (a árvore do livro “O Pequeno Príncipe”) e acácias centenárias de grande porte, onde podemos apreciar os leões empoleirados nas copas das árvores, lânguidos e sonolentos, alheios aos estalidos da auto-focagem das muitas objectivas. Uma manada de elefantes a menos de quatro metros do jeep, põe-nos eufóricos a apreciá-los e a tentar captar as suas melhores imagens. As girafas, no seu porte altivo, correm na imensa planície. Uma manada de búfalos descansa amontoada um pouco mais longe. As cegonhas, empoleiradas nas acácias ao entardecer, emprestam um ar bucólico e enternecedor à paisagem. Os rinocerontes refrescam-se nos charcos e quase permanecem imóveis. As gazelas e as impalas exercitam-se em corridas e brincadeiras.
Do lago não nos podemos aproximar por ser área protegida, mas mesmo ao longe, a imagem que dele vislumbramos, uma enorme mancha cor-de-rosa, deixa-nos adivinhar os milhões de flamingos, pelicanos e abutres que tive a sorte de ver, bem perto, não faz um ano, no lago Nakuru no Quénia. Imagem internacionalizada pelo filme “África Minha”, onde, Merryl Streep e Robert Redford tiveram uma prestação à altura da magia que lá se respira.
A grande variedade de mamíferos, répteis e pássaros no parque, fazem dele, um sítio memorável para visitar. Neste santuário de vida selvagem, além dos leões, que são a grande atracção, podemos encontrar, elefantes, girafas, búfalos, gnus, impalas, zebras, chitas, hipopótamos, rinocerontes e primatas.
Logo pela manhã, fazemo-nos de novo ao asfalto empoeirado, em direcção ao Serengeti onde iremos ficar duas noites no Mbuzi Mawe Tented Camp.
Pelo caminho, num lago com o fundo ressequido, encontrámos sete crias de leões, tão dóceis e ternurentas que só nos apetecia saltar do jeep e com elas brincar. Uns quilómetros mais à frente, avistamos uma cheta. São astutas e desconfiadas. Mantêm-se sempre mais distantes dos caminhos de passagem.
Estamos em pleno Parque Nacional de Serengeti e desta vez, os alojamentos são tendas decoradas com mobílias que nos fazem lembrar os Flinstones. São tendas de luxo, cómodas e com todas as condições necessárias a satisfazer o turista mais exigente.
Pela tardinha, saímos para mais um safari e regressamos um pouco antes do pôr-do-sol, tristes por lá não nos ser permitido permanecer a tempo de ver o sol esconder-se e captarmos imagens sublimes das silhuetas dos animais de grande porte em contra luz. Chegamos ao acampamento, a tempo de ver aquela enorme bola de fogo por entre as nuvens a matizar o céu de um alaranjado vivo, enquanto os macacos trepam os penhascos para se porem a salvo das investidas dos leões que ali andam por perto.
Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, estamos no meio do reino animal. Não há vedações, apenas a nossa precaução e a vigília dos guardas do parque. Mesmo assim, na primeira noite, não resistimos à tentação de ficar à porta da tenda a apreciar o céu estrelado de África, onde o azul é mais intenso e as estrelas mais cintilantes.
Deixo os pensamentos saltitarem de estrela em estrela e perco a noção do tempo, vêm-me à memória os tempos de criança quando, nas noites quentes de verão, ficava deitada na varanda da casa do Alentejo, onde nasci, a ver as estrelas a cintilar naquele céu de um azul-escuro intenso. Sou desperta pelo o guarda que me acaba de sugerir que me ponha a salvo na tenda.
Pelas cinco da manhã, ouço o rugido de leões, uma e outra vez, numa correria cada vez mais perto da tenda. Sento-me de um pulo na cama com todos os sentidos em alerta máximo, agarrada à lanterna e ao apito, únicas “armas” de que dispomos, os pensamentos correm à velocidade de um relâmpago à procura da decisão mais acertada, até que, do apito saem silvos aflitos, depressa serenados pelos passos apressados do guarda do parque em direcção à tenda.
Uffa, que emoção!
Os safaris fazem-se preferencialmente logo pela manhã ou ao fim da tarde, quando o sol é menos forte, ocasião em que os animais saem para caçar ou beber água e por isso se deixam ver mais facilmente.
Depois, esta viagem satisfaz o mais exigente dos fotógrafos. Os motivos de inspiração são avassaladores. Ele são os Masai envoltos nas suas coloridas vestes, os animais, as aves, as acácias e como pano de fundo, o céu com o arco-íris e as nuvens em idílicas construções, que mais parecem a tela de um mestre em dia de inspiração.
Logo pela manhã, fazemo-nos de novo à estrada em direcção ao Parque Nacional e Área de Conservação de Ngorongoro, considerados Património Mundial pela Unesco. Este Parque está localizado entre o Serengeti e o Manyara.
Antes de iniciar a descida, a imagem que temos da imensa cratera e da área envolvente é verdadeiramente deslumbrante. A cratera Ngorongoro de um vulcão extinto, é considerada uma das maiores preciosidades ecológicas do mundo. No percurso, podem observar-se quase todos os animais e uma das últimas populações de rinocerontes negros de África.
O curioso é que, à excepção dos elefantes que sobem até à crista da cratera para copular, nenhum outro bicho que nela vive, sai de dentro dessa espécie de Arca de Noé contemporânea. No centro, o lago branco de cloreto de sódio, dá a falsa impressão de estar a fumegar pelo efeito da evaporação. Uma mancha cor-de-rosa ao seu redor, deixa adivinhar milhões de flamingos. Podemos ver ainda, abutres, avestruzes, hienas, elandes, impalas e milhares de gnus. Durante os períodos de migração, mais de um milhão de gnus, quinhentas mil gazelas e duzentas e cinquenta mil zebras, vêm do Serengeti para a Área de Conservação Ngorongoro.
É também aqui, perto da Garganta de Olduvai, uma das áreas muitas vezes referida como “O berço da Humanidade” que foram encontrados os mais antigos fósseis humanos, que se pensam ter mais de dois milhões de anos.
Esta última noite está fria, passamo-la a 2 300 metros de altitude no Ngorongoro Serena Lodge ao redor da lareira, com a cratera aos pés, tecendo considerações sobre a viagem do próximo ano à Namíbia, Botswana, Delta de Okavango e Victória Falls.
Viemos, e voltamos com África no coração!
Tanzânia em números
Línguas oficiais: (2) swahili e inglês
Área total: Com 945 087 Km2 é o 31º maior país do mundo
Subdivisões: O país divide-se em 26 regiões
Pico mais alto de África: Monte Kilimanjaro com 5.895 metros
Maior lago de África: Lago Vitória
Lago mais profundo de África: Lago Tanganica
Principais Parques e Reservas: (5) Parque Nacional Serengeti; Parque Nacional Monte Kilimajaro;
Cratera e Área de Conservação Ngorongoro; Parque Nacional
do Lago Manyara;
Reserva de Caça Selous (Remota e selvagem, Selous é a maior reserva de África e 4 vezes maior que o Serengeti)
Área destinada à conservação da vida selvagem: Mais de 247 000 Km2
População total ano 2000: 35 922 454 habitantes
Densidade: 20/Km2
Independência da Grã-Bretanha: A 13 de Dezembro de 1962
Moeda: Xelim tanzaniano
Capital. Dodoma, mas Dar es Salaam ainda é o principal centro político
Ano 1995: Realizaram-se as primeiras eleições democráticas
Hino nacional: “Deus abençoe a África”
Lema: “Liberdade e Unidade” |