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Comboio de Luxo

Luxo sobre Carris
 
Pelas amplas janelas passam paisagens deslumbrantes, preenchendo de realidades idílicas e de sonho o que até então tínhamos como simples imaginário. Enquanto isso, pelas carruagens, respira-se uma atmosfera de glamouroso requinte. É este o ambiente que se vive e que é oferecido pelos comboios de luxo que percorrem paisagens únicas através dos cinco continentes numa tranquila e embalada cadência.

É um dos mais antigos meios de transporte da história, e é também uma das formas de viajar mais sonhadas e desejadas pelos “verdadeiros” viajantes. A eles, estiveram sempre associadas imagens de liberdade, de aventura, de um doce e cadenciado balancear, de uma procura frenética pelos grandes espaços ao encontro das grandes paisagens, aqui e ali interrompidas por velhas estações… Falamos dos clássicos comboios, aqueles que serviram de inspiração ou de cenário a dezenas de romances, mais ou menos românticos ou mais ou menos policiais.

Em comum, independentemente do trajecto e do continente que atravesse, existe o luxo, o requinte, o glamour e o viajar pausadamente, seja a bordo de uma carruagem do Eastern & Oriental Express, do TranSiberiano, do Orient Express, do Rovos Rail ou do Blue Train.

Mas, seja para atravessar as estepes russas, as montanhas da Europa Central, as enigmáticas paisagens orientais ou as savanas africanas, para embarcar neste mundo de sonhos é obrigatório haver uma estação. E as linhas que se seguem podem representar a descoberta da primeira de muitas estações desse mundo fantástico que é o dos comboios de luxo.

E comecemos pelo Eastern & Oriental Express que nos leva ao fascínio e ao enigmatismo da Tailândia, Malásia e Singapura, usufruindo de todo o requinte das carruagens construídas no Japão há 36 anos e marcadas pelo charme que distinguem a Sherwood, a companhia a que pertence o Eastern & Orient-Express.

Talhas, espelhos biselados e lustres de cristal acompanham os talheres de prata e porcelanas inglesas, orientando o estilo clássico e victoriano da decoração que encontramos nas salas de estar, no restaurante, nas cabines ou no vagão-bar, onde um pianista acompanha o ritmo da viagem com notas de jazz.
Mas, e talvez mais do que o charme que avança sobre os carris, é o itinerário que mais cativa os 132 passageiros a bordo do Eastern & Orient Express.
Partindo de Chiang-Mai, no norte da Tailândia, entre as fronteiras do Laos e da Birmânia, às portas do mítico Triângulo Dourado, Banguecoque é a primeira escala de uma viagem que atravessará a intrigante Malásia em direcção da vibrante Singapura.

Um ícone chamado The Venice Simplon-Orient Express

Mas é na Europa que encontramos o mais clássico, o mais enigmático e lendário de todos os comboios de charme, aquele que mais preenche o imaginário de todos os amantes das grandes viagens - o The Venice Simplon – Orient Express que, só por si, é história.

Uma história que começou há 124 anos, em 1893, ao partir de Paris em direcção a Istambul, a fronteira entre a Europa e a Ásia, levando nas suas carruagens membros da aristocracia do velho continente e uma burguesia ansiosa em mostrar a extensão das suas riquezas.
Mas foi em 1934 que o The Venice Simplon – Orient Express ganhou fama ao srvir de cebário para um dos mais enigmáticos e famosos romances de Agatha Christie. Mas já nessa altura os seus dias de glória iam perdendo fulgor. Primeiro, por culpa da I Grande Guerra a que se seguiu a II Guerra Mundial. Depois, a evolução da aviação e as revoluções russas complementaram esse declínio até que, na década de 70, tem uma paragem prolongada e esquecida numa qualquer estação.

E assim se manteve até 1983 quando, o milionário James Sherwood, lhe devolve o luxo de lustres de cristal e as poltronas de veludo. Também regressaram os impecáveis jantares black-tie, preparados por chefs franceses. Até mesmo as divisões internas dos vagões foram mantidas.

O que mudou foram as rotas. Agora, a mais concorrida é Londres-Veneza, mas também há rotas ligando Londres a Roma, Paris a Istambul e Istambul a Veneza.
É o regresso aos dias de glória, com todo o luxo e charme... Sempre!

Pelas savanas africanas no Rovos Rail

O Rovos Rail é lento. Como se pretende quando se atravessa a savana africana, quando se embarca num comboio de luxo na esperança de ter a cada instante um encontro com algumas das mais fascinantes criaturas que compõem o mundo da fauna africana. Mas esta lentidão, não é a única característica do Rovos.

Construídas nas primeiras décadas do século XX e criteriosamente restauradas até aos mais ínfimos pormenores, por Rohan Vos, as carruagens do Rovos Rail vão levando os seus 72 passageiros através de várias linhas e percursos, de Pretoria a Cape Town, de Pretoria às Victória Falls, de Cape Town a Dar Es Salaam, de Pretoria a Durban, passando pelo Krugger Park e pela Swazilandia, ou ainda de Pretoria a Sun City ou a Swakopmund, atravessando o fantástico deserto do Kalahari.

Sem pressas, ao ritmo de quem aprecia cada segundo da vida, seja comodamente sentados em magestosos sofás ou no bar onde um quarteto de cordas acompanha a beleza da paisagem africana, à mesa da carruagem-restaurante com os seus arcos e pilares esculpidos em madeiras nobres, construído em 1924 e onde são servidas trufas defumadas e outros paladares que compõem um cardápio clássico, ou na privacidade dos quartos.
Na realidade, entrar no Rovos Rail é entrar num mundo de exóticos sonhos, de descobertas perfumadas de aventura e de inesquecíveis expedições através de um continente que continua a teimar em se mostrar esplendoroso, único, diferente, nostálgico.

Através da Grande Mãe Russa

Desde a construção do Transiberiano, nos princípios do séc XX, todos os aventureiros sonharam fazer a épica viagem entre São Petersburgo e Moscovo até Vladivostoque. Uma viagem que, acima de tudo, evoca uma série de visões e epopeias através da história e de uma nação e de um povo.

Desde a grandeza do castelo de Peterhof no Golfo da Finlândia, mandado contruir por Pedro o Grande à imagem e semelhança do Palácio de Versalhes, à tragédia do desaparecimento de 20 milhões de pessoas durante os anos negros sob a mão férrea de Estaline, à troika romantica de Jivago que levou dois amantes envoltos sob o céu azul da Sibéria a percorrer os infindáveis campos de neve da Mãe Rússia e as suas jóias culturais ou através das memórias e mistérios dos ainda recentes anos sob o jugo comunista.

E são estas viajens épicas, feitas com elegância, luxo, segurança e comodidades que o Transiberiano Express oferece aos novos viajentes e aventureiros que partem à descoberta da aura mística de uma terra descrita por Sir Winston Churchill como “envolta de mistérios, um enigma...”.

Ao longo de 9.288 quilómetros que une Moscovo à costa do Pacífico russo, mais precisamente com Vladivostoque, localizada no mar do Japão, o Transiberiano atravessa a maior parte da que foi a Ásia soviética percorrendo oito fusos horários durante sete dias, numa oportunidade única e diferente de cada passageiro satisfazer as suas necessidades de aventura sem sacrificar as suas comodidades, de descobrir, viver e recriar, de uma forma elegante, os momentos mais marcantes e lendários de um país que ainda continua envolto em mistérios.