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Africa’s Kingdom of Pleasure

Sun City tem a dimensão de sonho. A dimensão daqueles sonhos perfeitos, grandiosos, mágicos, dos quais não queremos acordar.
Sun City nasceu da prodigiosa imaginação do magnata hoteleiro Sol Kerzner em tempos de uma outra África do Sul… Comecemos por um pouco de história e adiante desvendaremos as maravilhas de um dos maiores resorts do mundo.

Sob o olhar das imponentes montanhas Pilanesberg nasceu Sun City. Na sua génese esteve o ilimitado espírito criativo e empreendedor de Sol Kerzner, magnata hoteleiro dono da cadeia internacional Sun International, que numa época em que o jogo era considerado uma actividade ilícita na África do Sul, decidiu construir um casino resort no bantustão* de  Bophuthastswana.  Bophuthastswana havia sido declarado um estado independente pelo governo sul-africano do apartheid, e como tal era livre de oferecer entretenimento “imoral”, facto este que por si só exerceu um enorme poder de atracção, que se tornou maior ainda devido à proximidade das grandes áreas metropolitanas de Pretória e Joanesburgo. Inaugurado em 1979, Sun City depressa se tornou num destino muito popular para férias e fins-de-semana e não parou até hoje de florescer.

Foi à descoberta de Sun City que partimos de Joanesburgo estrada fora…
O tórrido sol africano já ia alto quando nos pusemos a caminho. A paisagem é plana e tudo está coberto de amarelos e castanhos secos. Aqui e ali uma povoação, a caminhar à beira da estrada encontramos crianças impecavelmente fardadas de uniforme escolar e de malas às costas, ao encontro quem sabe de um futuro que lhes retribua os imensos sorrisos que tão espontaneamente iluminam os seus rostos. A estrada é longa e o calor aperta, após uma hora de viagem e prestes a deixarmo-nos vencer pelo cansaço, eis que a paisagem muda: deparamo-nos com a amplíssima entrada do reino de Sun City. À nossa frente temos uma estrada ladeada de palmeiras e árvores de grande porte que nos conduz ao seis estrelas onde vamos pernoitar. Subitamente, contivemos quase em simultâneo a respiração. Tudo em volta era tão gigantesco e majestoso que os nossos cinco sentidos pareciam não conseguir abarcar tamanha grandiosidade: estávamos perante o Palace of the Lost City. Passadas duas lindíssimas fontes de estátuas de bronze representando animais em tamanho real, surgem dois grandes pórticos pelos quais entrámos na recepção do hotel. O chão é ladrilhado por 300 000 pequenos mosaicos de 308 cores diferentes que se combinam para formar os mais variados motivos da vida selvagem. O tecto, em abóbada, está coberto de frescos que 5 000 horas de trabalho tornaram uma obra-prima. A mesa ao centro, cujo tampo é assente em quatro leões admiravelmente esculpidos, foi construída a partir de 8 diferentes tipos de madeira. Degustando o refresco de maracujácomque fomos gentilmente agraciados, depressa esquecemos a fadiga e ali permanecemos de pé, a observar a riqueza de cada detalhe… Fomos interrompidos por Dorothy, a relações públicas, que com um simpático sorriso de boas vindas, nos conduz ao bar onde nos oferece uma deliciosa refeição, e nos apresenta o programa dos próximos dias.

À primeira vista pareceu-nos que três dias seriam suficientes para tudo ver e tudo experimentar. Não poderíamos estar mais enganados!
Naquele momento queríamos apenas descobrir o nosso hotel, tínhamos a impressão que nos perderíamos naquela imensa cidade perdida de 338 luxuosos quartos onde o mais ínfimo pormenor nos fazia crer que de uma verdadeira cidade perdida se tratava. A dimensão é tal, que entre corredores intermináveis cercados por fabulosa vegetação, onde aves e macacos convivem alegremente, há espaço para esculturas de animais de grande porte em tamanho real, de que é exemplo o elefante Shawu, esculpido pelo escultor Danie de Jager.

Para descrever em rigor a riqueza arquitectónica, o trabalho artesanal das peças de mobiliário, o exotismo dos materiais utilizados, e toda a atmosfera mágica que se respira, teríamos talvez de passar tantas horas quantas as que foram necessárias para edificar tamanha obra, a seleccionar meticulosamente cada adjectivo para que nunca deixasse de ser fiel à singularidade de cada peça, à autenticidade de cada detalhe. Não admira que O Palácio da Cidade Perdida seja um dos mais esplêndidos hotéis de seis estrelas do mundo!

Mas Sun City reservava-nos ainda muito, muitíssimo mais…
O dia seguinte começou bem cedo com um passeio pelo resort. Começámos pelo Hotel Sun City, aberto em 1979, inserido num belíssimo jardim de frente para o Campo de Golf Gary Player, com os 340 quartos com vista para a piscina. O hotel integra uma sala de espectáculos com 640 lugares, o Sun City Theater, e o Sun City Casino, assim como variadíssimos restaurantes especializados nas mais variadas cozinhas desde asiática, indiana, sul-africana entre outras.

Seguiu-se o Hotel Cabanas, aberto em 1982, um três estrelas que se situa no mesmo jardim que o Sun City, junto a um enorme lago onde podem ser praticados um sem número de desportos náuticos.É um hotel concebido a pensar nas famílias, possui uma creche, várias zonas de divertimento para crianças dos 4 aos 12 anos, uma quinta, a Kamp Kwena Fort, onde podem ser observadas aves exóticas, outra quinta, a Animal World, onde as crianças podem não só ver, como também alimentar os animais. Possui ainda mini-golfe, trampolins, piscinas infantis e variadíssimos programas de entretenimento. É um hotel com um notável padrão de qualidade, destinado sobretudo a quem aprecia a natureza, a tranquilidade e o bem-estar de toda a família.

O Cascades, aberto dois anos depois do Cabanas, é um luxuoso hotel de cinco estrelas cujas torres se situam sob jardins imensos onde o cantar das aves e o doce deslizar das águas dos riachos lhe confere particular graciosidade.

Uma das grandes atracções de Sun City é o Valley of Waves, espaço composto por uma piscina de ondas com 6 500 m2 capaz de gerar ondas de 1.8 metros cada 90 segundos, e uma praia de areias claras e palmeiras à qual todos os hóspedes têm livre acesso e poderão usufruir de inúmeras atracções aquáticas. Neste momento da visita, foi difícil resistir à tentação de um bom mergulho mas … prosseguimos com a Dorothy a marcar o ritmo da visita pois nada poderia ficar de fora. O almoço estava marcado no Elephant Wallow, zona do Parque Nacional de Pilanesberg, onde tivémos a oportunidade de interagir com vários elefantes, criaturas que têm tanto de gigantes quanto de ternurentos, e onde até aprendemos a alimentá-los: Aproximamo-nos, pronunciamos o correspondente a “abre a boca” o animal obedece, colocamos as nossas mãos dentro da boca do animal com o respectivo alimento e já está, resta só retirar as mãos antes que a boca feche! Confesso que é uma experiência demasiado áspera e viscosa. Valeram as fotografias.
O final da tarde reservava-nos uma viagem pela diversidade étnica do povo Sul-africano. A Cultural Village revelou-se um espaço cultural em que, entre danças tradicionais, aprendemos um pouco sobre algumas tribos do país - Zulus, Xhosa, Sotha, Tswana, Ndebele, Basotho - a sua língua, usos, costumes e indumentária.

O terceiro e último dia reservava-nos o tão aguardado safari no Parque Nacional de Pilanesberg. Uma área de 50 000 hectares de uma beleza natural impar, mundialmente reconhecido pelas suas características geológicas e estruturais uma vez que se formou a partir de erupções vulcânicas há 1 200 milhões de anos atrás. Para além do tamanho, forma e tipos de rocha que caracterizam Pilanesberg, as suas origens vulcânicas geraram uma ampla diversidade de paisagens e de vegetações, que por sua vez promoveram a existência de uma diversidade de espécies maior aqui que em qualquer outro parque, com as mesmas dimensões, em toda a África do Sul.
Às nove horas estávamos a entrar numa carrinha que nos conduziria a Pilanesberg. Chegados à entrada do parque recebemos, num tom extremamente sério, instruções do nosso guia e condutor Jimmy, sobre procedimentos de segurança, e comportamentos a adoptar em caso de perigo. Por momentos entreolhámo-nos com algum receio, diria mesmo algum medo… Jimmy saiu da carrinha carregou a arma ruidosamente, regressou ao seu lugar, virou-se para trás e exclamou com um enorme sorriso: “Now you are safe!” (“Agora estão seguros!”). Houve risada geral e todos nos descontraímos. A carrinha não tinha vidros, e possuía apenas uma capota a cobrir o tecto. Durante a primeira hora valeram-nos os cobertores que fazem parte integrante dos veículos, para aqueles turistas inexperientes que acham que em África só faz calor…

O Parque Nacional surpreendeu-nos pela quantidade e diversidade animal. Logo à entrada pudemos quase cumprimentar cinco elegantes e altivas Girafas que no seu passo lento se passeavam, e pousavam para as nossas câmaras com aquele ar fotogénico como só elas sabem fazer. Mais à frente foi a vez das Zebras darem um ar de sua graça, e se deixarem também fotografar bem de perto. Até então nada de Big Five… do intercomunicador sai uma voz a anunciar a localização de alguns animais, não conseguimos perceber quais, mas a velocidade que toma Jimmy, deixa-nos expectantes. Parámos. Por entre os arbustos eis que surgem mãe e filho Elefante a tomar um pequeno-almoço de deliciosa folhagem ainda fresquinha. Chegam a comer duzentos quilos de folhas por dia!Depois observámos ainda junto ao lago muitos Hipopótamos e um pouco mais adiante uma manada de Búfalos. Regressámos sem sequer vislumbrar o tão aguardado Rei da Selva. Talvez estivesse ainda demasiado frio para caçar…

A noite terminou com chave de ouro ao embarcarmos numa viagem musical no tempo. Assistimos no Sun City Theater ao musical Let There be Rock. Perante uma sala repleta, os actores incendiaram os ânimos e foram poucos, aqueles que conseguiram manter-se sentados. A energia e alegria do espectáculo foi contagiante e todos revivemos os melhores momentos do Rock dos anos 70 e 80.

Também as nossas mentes já reviviam os melhores momentos desfrutados em Sun City, agora que a estadia chegava ao fim. Na manhã seguinte seguimos viagem rumo a Pretória, deliciados com tudo o que vimos, e fascinados com a interminável oferta que um mesmo resort pode proporcionar. Sun City faz de facto juz ao cognome de Africa’s Kingdom of Pleasure. 

* pseudo-estado de base tribal criado pelo regime do apartheid na África do Sul, de forma a manter os negros fora dos bairros e das terras brancas, mas suficientemente perto delas para servirem de mão  de obra barata.

Por Carla Sabino Maurício