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um pequeno-grande hotel

A Quinta das Lágrimas tem tudo de um grande hotel, como os serviços, o conforto, o profissionalismo, a sofisticação. Por outro lado tem também tudo que um pequeno hotel pode oferecer, como a personalização, a calma, o carácter e a simpatia de quem recebe os hóspedes. É por isso um hotel especial, que tem alma de gente e uma história de amor para acompanhar.

O Palácio da Quinta das Lágrimas foi construído no século XVIII, estando ainda hoje na posse da mesma família. A história da Quinta é feita da memória das ilustres personagens que ao longo do tempo aqui foram passando. Uma das mais importantes foi Arthur Wellesley, Duque de Wellington e comandante do corpo expedicionário inglês que ajudou a suster as invasões Napoleónicas. Wellington tinha como um dos seus ajudantes de campo António Maria Osório Cabral da Gama e Castro, dono da Quinta das Lágrimas nessa época. Durante o período que aqui passou, Lord Wellington, enamorou-se pelo ambiente da Quinta e pela lenda de Pedro e Inês, como o prova a lápide que mandou colocar junto à Fonte das Lágrimas, e onde se lê a estrofe 135 do canto III dos Lusíadas. Também por ele foram plantadas duas sequóias hoje com 200 anos, e que desde essa altura são referidas como "Sequóias Wellington".

Um outro relato de enorme valor histórico deu-se aquando da visita feita por Sua Alteza Imperial o Senhor Dom Pedro II, Imperador do Brasil. Uma crónica saída num jornal da época, conta que "(...) passaram à Fonte dos Amores, onde o Senhor Miguel Osório tinha preparado um mimoso refresco, disposto em duas mesas, debaixo dos cedros que ensombram a decantada nascente de água. As mesas, colocadas aos lados da corrente, estavam adornadas de flores e elegantes vasos de prata da rica baixella da Casa das Lágrimas. Suas Majestades apreciaram imenso a delicada surpreza com que os obsequiou o dono da casa, e serviram-se de vários doces, fructas e vinhos; e tão agradável acharam o local, que por três quartos de hora se demoraram juncto da fonte, da qual beberam água".

Com a abertura do hotel, o Palácio foi alvo de profundas obras de recuperação, tendo-se também criado novos espaços, como o edifício desenhado pelo Arquitecto Gonçalo Byrne, um dos mais conceituados arquitectos portugueses, que inclui quartos e um spa. A audácia deste projecto de arquitectura de autor mostra que a Quinta das Lágrimas não se limita a recriar ambientes do passado, antes procura também criar espaços que apelam a novas tendências e life-styles. Gonçalo Byrne desenhou um espaço de grande modernismo inspirado nas filosofias orientais de harmonização do ambiente físico com os elementos da Natureza, e utilizando materiais nobres e orgânicos (madeira, pedra, vidro). O “4 Elementos” oferece um ambiente zen em perfeita sintonia com a Natureza exterior e com a água que é a essência da Quinta das Lágrimas.

A galeria que liga o antigo e o moderno é um corredor do tempo, feito de contentores revestidos a cobre, e que leva os hóspedes do passado para o futuro. A acompanhar essa viagem está uma sequência temporal de obras de arte sobre de Pedro e Inês. Esta colecção, propriedade da Fundação Inês de Castro, constitui o mais importante espaço museológico dedicado a esta história de amor eterno. Para além destas obras o hotel possui ainda peças site-specific de artistas conceituados como Joana Vasconcelos, João Cutileiro e Luís Pinto-Coelho, para além de uma galeria de arte contemporânea.

No exterior existem igualmente grandes motivos de interesse. A flora da Quinta das Lágrimas forma um conjunto de tal maneira rico e diversificado que se equipara em raridade e exotismo aos mais completos jardins botânicos. A Quinta é dividida em quatro núcleos distintos: o jardim romântico, o jardim medieval, a mata e o golfe. Destacam-se as colecções de Araucárias e de Palmeiras, para além dos raros exemplares de Podocarpus, Figueiras, Plátanos e Sequóias. Recentemente foi criado um jardim japonês, o único desse tipo aberto ao público em Portugal, à volta do qual existem quartos com ambientes inspirados no Oriente.

Na quinta são produzidos muitos produtos que depois são aliados pelo Chef Albano Lourenço aos produtos tradicionais da região para criar receitas de sabor único que são renovadas quatro vezes por ano, ao ritmo das estações. É uma “Cozinha de Mercado”, porque apenas utiliza ingredientes frescos, e que permitiu que o restaurante Arcadas conquistasse uma estrela Michelin. Por estar a dois passos de duas das mais importantes regiões vinícolas de Portugal, Dão e Bairrada, a Quinta das Lágrimas foi criando ao longo dos anos uma extraordinária colecção de vinhos, tornando-a num “Wine Destination Hotel”. O vinho mais emblemático da carta é o “Pedro&Inês”, o vinho assinatura da Quinta das Lágrimas. O vinho é produzido com duas castas tradicionais da região, uma mais majestosa e masculina (Baga, para simbolizar Pedro), outra mais perfumada e feminina (Alfrocheiro, para simbolizar Inês). A união das duas criou um vinho histórico que se pode saborear à mesa da Quinta ou pode ser comprado na loja “de coisas boas” do hotel.

Natureza, alma, arquitectura, história, bem-estar, gastronomia e vinhos, golfe, arte e cultura, enfim, um sem número de razões para visitar esta linda Quinta das Lágrimas.

D. PEDRO E INÊS DE CASTRO

A principal lenda que gira à volta da Quinta é a de Pedro e Inês. Tudo se passou há mais de 650 anos, altura em que a família real vivia em Coimbra e as matas da Quinta eram suas coutadas de caça. Era aqui que Pedro e Inês se encontravam, sempre em segredo, de maneira a que nada perturbasse o seu amor. Terá sido nas matas das Lágrimas que Inês foi assassinada pelos três validos de Afonso IV. Foram as lágrimas que Inês então chorou que fizeram nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue que do seu corpo saiu ainda hoje está gravado na rocha, onde permanecerá para sempre.

A RAINHA SANTA ISABEL

Coimbra guarda com carinho a memória de outra Rainha de Portugal, Isabel de Aragão. A sua ligação à Quinta das Lágrimas está historicamente documentada. De facto, em 1336 a Rainha Santa Isabel mandou construir um canal para levar água da actual Quinta das Lágrimas (antes chamada de Quinta do Pombal) até ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Os documentos contam este facto histórico: “…. agoa a qual nasce na terra deste Mosteiro de Santa Clara no logar a que chamão o Pombal sobre o dito Mosteiro de Santa Clara contra o meio dia, da qual agoa pede a dita Senhora Raynha duas fontes tão sollamente pêra o dito Mosteiro de Santa Clara, as quaes fontes são chegadas huma com a outra e nascem à costeira sobre o dito Pombal e son ora mais chegadas ao dito Mosteiro de Santa Clara”. Este canal ainda hoje existe e é conhecido pelo "Cano dos Amores", estando também associado aos amores de Pedro e Inês.

Fernando Borges

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Quinta das Lágrimas

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